Com o objetivo de compreender melhor o problema, primeiro vamos definir o conceito de demanda de energia e entender a importância desse item no planejamento energético (justamente devido ao seu alto impacto no custo final de energia). Para isso, iremos apresentar uma resolução da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), agência reguladora de energia elétrica no Brasil, que trata sobre Demanda Contratada:

A Resolução Normativa ANEEL nº 414 de 2010 classifica Demanda Contratada como “demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada pela distribuidora, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência fixados em contrato, e que deve ser integralmente paga, seja ou não utilizada durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW)”.

Trazendo para uma linguagem mais fácil de ser compreendida, a Demanda Contratada é a potência que a concessionária precisa disponibilizar ao cliente de maneira contínua, garantindo assim que o cliente poderá utilizar a infraestrutura elétrica de maneira segura para suas operações.

Normalmente, o valor definido para contratação da demanda é dado em estudo elétrico apresentado pelo time de engenharia antes do início da operação dos processos. O valor apresentado é, na maioria das vezes, calculado à partir das cargas teóricas contidas no projeto.

Diante deste cenário, alguns pontos de atenção devem ser levados em consideração:

Ponto 1

Você irá pagar pela demanda contratada. Ou seja, se você contrata 600 kW de demanda e consome somente 500 kW, você pagará pelos 600 kW e terá 100 kW pagos desperdiçados!

Gráfico exemplificando o Ponto 1

Não é difícil encontrar indústrias que realizaram alterações nos processos produtivos e/ou redução na carga elétrica sem realizarem a redução da demanda contratada. O resultado disso tudo é um dinheiro relativamente alto, pago à concessionária, sem a utilização efetiva da infraestrutura. Considerando uma tarifa média de R$ 20,00 por kW, se você tem 100 kW de sobra de demanda contratada, estamos falando de um prejuízo de R$ 24 mil reais ao ano.

Ponto 2

Se você tem uma demanda contratada de energia que, efetivamente, não atende à potência que o processo produtivo precisa, ocorrem multas por ultrapassagem de demanda – que não são nada baratas!

Por isso, além da importância de se realizar um planejamento energético para adequar a demanda contratada de energia, é muito interessante realizar o monitoramento dessa demanda, a fim de identificar oportunidades de redução de custo quanto à adequação da demanda contratada. Essa é uma ação que traz benefícios financeiros à organização sem a necessidade de grandes investimentos, fazendo com o que o payback seja quase imediato.